Lesão parcial do manguito rotador: entenda

A lesão parcial do manguito rotador é caracterizada por um rompimento incompleto de um ou mais dos 4 tendões que compõe esse importante grupo muscular. O manguito rotador é fundamental na estabilidade e movimentação do ombro. 

Trata-se de uma condição relativamente frequente, especialmente entre mulheres a partir dos 40/50 anos e em pessoas que utilizam os braços de forma repetitiva, seja no esporte, no trabalho ou nas atividades do dia a dia.

Embora não haja ruptura total do tendão, essa lesão costuma causar dor significativa, perda de força e limitação funcional, dificultando movimentos simples como elevar o braço ou alcançar objetos. 

Na maioria dos casos, não há indicação cirúrgica imediata. Porém, a lesão exige avaliação cuidadosa e acompanhamento especializado, já que sua evolução é incerta e bastante variável. Em alguns casos a lesão estabiliza e em outros progride, podendo ocorrer de o tendão rasgar por completo.

Leia este breve artigo e aprenda um pouco mais sobre o tema para que você tenha participação ativa sobre as decisões envolvendo a sua saúde.

O que é o manguito rotador e qual a sua função no movimento do ombro?

O manguito rotador é um conjunto de quatro músculos e seus tendões (supraespinhal, infraespinhal, subescapular e redondo menor), que envolve a cabeça do úmero como uma espécie de “capa” protetora. 

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Sua principal função é manter o ombro estável durante todos os movimentos, impedindo que o osso “escape” da posição correta enquanto o braço é levantado, girado ou movimentado em várias direções. 

Além da estabilidade, o manguito rotador é essencial para a força e para a precisão dos movimentos, permitindo desde tarefas simples, como pentear o cabelo e alcançar objetos, até atividades mais complexas, como esportes de arremesso ou exercícios de academia. 

Quando esses tendões estão saudáveis, o ombro se move de forma fluida e equilibrada.

O que são as lesões parciais do manguito rotador?

As lesões parciais do manguito rotador acontecem quando um dos quatro tendões dessa estrutura sofre um dano incompleto. 

Isso significa que o tendão está machucado, mas não chegou a romper totalmente nem a se desprender do seu local de fixação no osso. 

Diferentemente das roturas completas, que têm evolução mais previsível e geralmente exigem tratamento cirúrgico, as lesões parciais apresentam um comportamento menos uniforme.

Algumas cicatrizam espontaneamente, enquanto outras podem evoluir para uma ruptura maior.

No entanto, essa evolução depende de uma série de fatores, como o tamanho da lesão, a qualidade do tendão e as condições gerais do paciente.

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Quais são as causas da lesão parcial do manguito rotador?

Entre as principais causas dessa condição, destacamos:

  • Sobrecarga repetitiva: movimentos repetitivos do ombro podem causar micro lesões progressivas no tendão;
  • Degeneração pelo envelhecimento: a causa mais frequente. Com o passar dos anos, o tendão perde vascularização, elasticidade e resistência;
  • Traumas diretos ou indiretos: quedas com impacto no ombro, movimentos bruscos ao levantar peso ou luxações podem causar uma rotura parcial aguda;
  • Síndrome do impacto: quando há pouco espaço entre o acrômio e o manguito rotador, o tendão sofre atrito constante. Esse “esmagamento” repetido favorece o desgaste e pode evoluir para uma lesão parcial;
  • Tendinopatia prévia não tratada: inflamações crônicas do tendão, como tendinite ou bursite, enfraquecem as fibras e aumentam o risco de ruptura parcial ao longo do tempo;
  • Alterações anatômicas do acrômio: formatos mais curvos ou ganchosos aumentam a fricção e tornam a ruptura parcial mais provável.

Quais sintomas podem indicar uma lesão parcial?

Os sintomas que podem indicar uma lesão parcial do manguito rotador, são:

  • Dor no ombro, especialmente ao levantar o braço, alcançar objetos ou durante movimentos acima da cabeça;
  • Dor noturna, que piora ao deitar sobre o ombro afetado;
  • Sensação de fraqueza ao tentar elevar ou rodar o braço;
  • Dificuldade para realizar atividades simples, como pentear o cabelo, vestir roupas ou pegar itens em prateleiras;
  • Estalidos ou sensação de atrito durante o movimento, por inflamação e irregularidade do tendão;
  • Dor ao realizar movimentos repetitivos ou após esforços físicos;
  • Redução da amplitude de movimento, causada por dor ou inflamação ao redor do tendão.

Como realizamos o diagnóstico da lesão parcial do manguito rotador?

Iniciamos, analisando o histórico do paciente, o padrão de dor, fatores de risco e o tipo de atividade que pode ter desencadeado o problema. 

Em seguida, realizamos testes físicos específicos que avaliam força, mobilidade e sinais de irritação dos tendões.

Para confirmar o diagnóstico, solicitamos exames de imagem, sendo a ressonância magnética o padrão-ouro por permitir visualizar o grau da lesão, sua profundidade e a condição do tendão ao redor. 

Quais são as melhores opções de tratamento conservador?

Entre as abordagens não cirúrgicas, a fisioterapia é o recurso com melhor evidência científica para a recuperação das lesões parciais do manguito rotador. 

O trabalho com um fisioterapeuta experiente, que compreenda a mecânica do ombro e saiba aplicar exercícios específicos, é fundamental para melhorar a dor, recuperar força e favorecer a cicatrização. 

Além disso, devemos orientar o paciente sobre quais movimentos evitar e quais executar para termos um tratamento eficaz.

Outra abordagem que tem ganhado destaque no tratamento das lesões do ombro é a medicina regenerativa. Entre as opções disponíveis estão as infiltrações com ácido hialurônico, o PRP (plasma rico em plaquetas) e o aspirado de medula óssea.

Essas células mais jovens e os fatores de crescimento presentes nessas terapias têm a capacidade de estimular processos de reparação tecidual, modular a inflamação e melhorar o ambiente biológico da articulação. 

Em situações selecionadas, essas abordagens podem ser utilizadas de forma isolada ou combinadas, sempre após avaliação criteriosa, com o objetivo de potencializar os resultados do tratamento e promover melhor recuperação funcional.

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Quando indicamos a cirurgia para essa condição?

Embora muitas lesões parciais possam melhorar sem cirurgia, existem situações em que a intervenção cirúrgica é necessária, especialmente nos casos refratários aos tratamentos conservadores, nas lesões mais extensas ou quando o paciente enfrenta dor intensa e persistente. 

Nesses casos, a cirurgia no ombro visa aliviar os sintomas, restaurar a função e prevenir a evolução para uma rotura completa.

Cuidar de uma lesão parcial do manguito rotador exige atenção contínua e acompanhamento qualificado. Cada caso evolui de maneira diferente e pequenas mudanças no quadro podem alterar totalmente a estratégia de tratamento. 

Por isso, contar com o especialista em ombro experiente é imprescindível. Com o acompanhamento adequado, o paciente pode retomar suas atividades com mais confiança.

Portanto, se você está enfrentando dor no ombro ou suspeita de lesão do manguito rotador, agende uma consulta e tenha uma avaliação detalhada com o ortopedista de ombro.

O cuidado certo no momento certo faz toda a diferença na sua recuperação!

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